Dados de segurança pré-clínica
Em todos os estudos realizados em ratos e em cães, a alfadarbepoetina produziu aumentos
significativos na hemoglobina, nos hematócritos, nas contagens de hemácias e nos reticulócitos, que correspondem
aos efeitos farmacológicos esperados. Os eventos adversos em doses muito elevadas foram todos considerados como
relacionados a um efeito farmacológico exagerado (diminuição da perfusão tecidual devido ao aumento da
viscosidade sanguínea).
Esses efeitos incluíram mielofibrose e hipertrofia esplênica, bem como alargamento do
complexo QRS no ECG em cães, mas não foram observados arritmia e nem efeito sobre o intervalo QT.
A alfadarbepoetina não revelou qualquer potencial genotóxico e nem apresentou qualquer efeito
sobre a proliferação de células não hematológicas in vitro ou in vivo. Nos estudos de toxicidade crônica,
não
foram observadas respostas tumorigênicas ou mitogênicas inesperadas em qualquer tipo de tecido. O potencial
carcinogênico da alfadarbepoetina não foi avaliado em estudos de longo prazo realizados em animais. Em estudos
realizados em ratos e coelhos, não foi observada evidência clinicamente relevante de efeitos prejudiciais com
relação à gravidez, desenvolvimento embrionário/fetal, parto ou desenvolvimento pós-natal. A transferência
placentária foi mínima. Não foi detectada qualquer alteração de fertilidade.
Eficácia clínica e segurança
Pacientes oncológicos que recebem quimioterapia
EPO-ANE-3010, um estudo randomizado, aberto e multicêntrico, foi conduzido em 2.098 mulheres
com anemia e com câncer de mama metastático, que receberam quimioterapia em primeira linha ou em segunda linha.
Esse estudo foi um estudo de não inferioridade criado para descartar um aumento de 15% no risco de progressão do
tumor ou de morte comparando o tratamento padrão (SOC) mais alfapoetina com o SOC isolado. No momento do corte
dos dados clínicos, a sobrevida livre de progressão (SLP) mediana, de acordo com a avaliação do investigador foi
de 7,4 meses em cada grupo (HR 1,09, CI de 95%: 0,99, 1,20), indicando que o objetivo do estudo não foi
atingido. Significativamente menos pacientes receberam transfusão de glóbulos vermelhos no grupo de SOC mais
alfa epoetina (5,8% versus 11,4%). No entanto, significativamente mais pacientes tiveram eventos vasculares
trombóticos no grupo de SOC mais alfa epoetina (2,8% versus 1,4%). Na análise final, 1.653 mortes foram
relatadas. A sobrevida global mediana no grupo de SOC mais alfa epoetina foi de 17,8 meses, comparada com 18,0
meses no grupo de SOC isolado (HR de 1,07, CI de 95%: 0,97, 1,18). O tempo mediano para progressão (TTP) com
base na doença progressiva (PD) determinada pelo investigador foi de 7,5 meses no grupo de SOC mais alfa
epoetina e de 7,5 meses no grupo de SOC (HR de 1.099, CI de 95%: 0,998, 1,210). O TTP mediano com base na PD
determinada pelo IRC foi de 8,0 meses no grupo de SOC mais alfa epoetina e de 8,3 meses no grupo de SOC (HR de
1,033, CI de 95%: 0,924, 1,156).
Em um estudo prospectivo, randomizado, duplocego, controlado por placebo, conduzido em 314
pacientes com câncer de pulmão que recebiam quimioterapia com platina, houve uma redução significativa nas
necessidades de transfusão (p<0.001).
Estudos clínicos demonstraram que a alfadarbepoetina apresentou eficácia semelhante quando
administrada como uma injeção única uma vez a cada três semanas, uma vez a cada duas semanas ou semanalmente sem
qualquer aumento nas exigências da dose total.
A segurança e a eficácia da administração da dose uma vez a cada três semanas da terapia de
ARANESP na redução da necessidade de transfusões de glóbulos vermelhos em pacientes que passam por quimioterapia
foi avaliada em um estudo randomizado, duplo cego e multinacional. Esse estudo foi realizado em 705 pacientes
com anemia e com malignidadesnão mieloides que receberam vários ciclos de quimioterapia. Os pacientes foram
randomizados para receber ARANESP 500 mcg uma vez a cada três semanas ou 2,25 mcg/kg uma vez por semana. Nos
dois grupos, a dose foi reduzida em 40% da dose anterior (por exemplo, para a primeira redução da dose, para 300
mcg no grupo de uma vez a cada três semanas e 1,35 mcg/kg no grupo de uma vez por semana), se a hemoglobina
tivesse sido aumentada em mais de 1 g/dL em um período de 14 dias. No grupo de uma vez a cada três semanas, 72%
dos pacientes precisaram de reduções da dose. No grupo de uma vez por semana, 75% dos pacientes precisaram de
reduções da dose. Esse estudo mostra que 500 mcg uma vez a cada três semanas é comparável à administração uma
vez por semana, com relação à incidência de sujeitos que recebem pelo menos uma transfusão de glóbulos vermelhos
da semana cinco até o fim da fase de tratamento.
Em um estudo prospectivo, randomizado, duplocego e controlado por placebo, conduzido em 344
pacientes com anemia e com malignidades lifoproliferativas que receberam quimioterapia, houve uma redução
significativa nas necessidades de transfusão e melhora na resposta da hemoglobina (p< 0,001). A melhora na
fadiga, medida pela escala de fadiga da avaliação funcional da terapia do câncer (fadiga-FACT) também foi
observada.
A eritropoietina é um fator de crescimento que estimula principalmente a produção de
hemácias. Os receptores da eritropoietina podem ser expressos na superfície de uma variedade de células
tumorais.
A sobrevida e a progressão do tumor foram examinadas em cinco estudos controlados grandes que
envolveram um total de 2.833 pacientes, dos quais quatro foram estudos duplocegos, controlados por placebo e um
foi um estudo aberto. Dois dos estudos recrutaram pacientes que estavam sendo tratados com quimioterapia. A
concentração alvo de hemoglobina em dois estudos foi > 13 g/dL; nos três estudos restantes, foi de 12 g/dL a
14 g/dL. No estudo aberto, não houve diferença na sobrevida global entre os pacientes tratados com
eritropoietina humana recombinante e controles. Nos quatro estudos controlados com placebo, as relações de risco
para a sobrevida global variaram entre 1,25 e 2,47 a favor dos controles. Esses estudos mostraram um excesso de
mortalidade consistente, inexplicado, estatisticamente significativo, em pacientes com anemia associada com
vários cânceres comuns, que receberam eritropoietina humana recombinante em comparação com os controles. O
resultado da sobrevida global nos estudos não pode ser satisfatoriamente explicado pelas diferenças na
incidência de trombose e complicações relacionadas entre aqueles que receberam eritropoietina humana
recombinante e aqueles do grupo de controle.
Em um estudo randomizado, duplo cego, controlado por placebo de fase 3, 2.549 pacientes
adultos com anemia que recebiam quimioterapia para o tratamento de câncer de pulmão de células não pequenas em
estágio avançado (NSCLC) foram randomizados 2:1 para alfadarbepoetina ou placebo e tratados para uma contagem
máxima de Hb de 12 g/dL. Os resultados mostraram não inferioridade para o desfecho primário de sobrevida global
com uma sobrevida mediana para alfadarbepoetina versus placebo de 9,5 e 9,3 meses, respectivamente (HR
estratificado de 0,92; CI de 95%): 0,83; -1,01). O desfecho secundário de sobrevida livre de progressão foi de
4,8 e 4,3 meses, respectivamente (HR estratificado de 0,95; CI de 95%): 0,87 a 1,04), descartando o aumento de
risco predefinido de 15%.
Uma revisão sistemática também foi realizada envolvendo mais de 9.000 pacientes com câncer
participando de 57 estudos clínicos. A metanálise dos dados da sobrevida global produziu uma estimativa pontual
de relação de risco de 1,08 a favor dos controles (IC 95%: 0,99; 1,18; 42 estudos clínicos e 8.167 pacientes).
Um aumento do risco relativo de eventos tromboembólicos (RR 1,67, IC 95%: 1,35; 2,06; 35
estudos clínicos e 6.769 pacientes) foi observado em pacientes tratados com eritropoietina humana recombinante.
Portanto, há evidência consistente para sugerir que pode haver um risco significativo aos pacientes com câncer
que são tratados com eritropoietina humana recombinante. A extensão na qual esses resultados podem se aplicar à
administração de eritropoietina humana recombinante em pacientes com câncer, tratados com quimioterapia para
atingir concentrações de hemoglobina inferiores a 13 g/dL, não é clara porque poucos pacientes com essas
características foram incluídos nos dados revisados.
Uma análise de dados no nível do paciente também foi realizada em mais de 13.900 pacientes
com câncer (quimio, radio, quimio-radio, ou nenhuma terapia) participando de 53 estudos clínicos controlados
envolvendo diversas epoetinas. A metanálise dos dados da sobrevida global produziu uma estimativa pontual de
relação de risco de 1,06 a favor dos controles (IC 95%: 1,00; 1,12; 53 estudos clínicos e 13.933 pacientes) e
para os pacientes com câncer tratados com quimioterapia, a relação de risco da sobrevida global foi de 1,04 (IC
95%: 0,97; 1,11; 38 estudos clínicos e 10.441 pacientes). As metanálises também indicam consistentemente um
aumento significativo do risco relativo de eventos tromboembólicos em pacientes com câncer tratados com
eritropoietina humana recombinante (vide "ADVERTÊNCIAS E PRECAUÇÕES").